Quem nasce no cidade da arte é guaramiranguense!

[Nilde Ferreira, arquivo ECOS]

“Gentílico” é a palavra bonita para dizer o povo no qual a pessoa nasceu. Aquele por onde ela chegou ao mundo, abrindo os pulmões e gritando: estou aqui,quero meu lugar e presta atenção no que eu vim “causar”! Pois o gentílico para quem nasce na cidade da arte é “guaramiranguense”, claro!

Os primeiros guaramiranguenses chegaram ao mundo ao som de cantigas entoadas nos roçados de café e cresceram entre dramas improvisados e passos de reisado ensaiados nos terreiros. Desenvolveram-se no ritmo das sanfonas rurais que animavam as noitadas das quermesses e alertaram-se pelos gritos de anunciação das prendas dos leilões dos padroeiros.

Deram sua terra as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, mas descobriram santos de casa, como é o caso de Raimundo Aleixo – homem vitimado pela hanseníase nos tempos sem cura que isolou-se debaixo de uma mangueira para morrer sozinho e tornou-se milagreiro comprovado pelo povo do Granjeiro!

Ser do cidade da arte é ser guaramiranguense que é o mesmo que:
a) acreditar que a arte serve para “desasnar” meninos e meninas;
b) que não se deixa para amanhã a arte que se pode fazer a qualquer hora;
c) rezar pra ser criativo;
d) duvidar com toda força que alguém possa viver bem sem ter sido, ao menos uma vez cada ano, um artista!

Nilde Ferreira, guaramiranguense.
[Maio de 2011]